top of page


barulho do desejo silenciado
“Abri no capítulo doze e meu olhar foi atraído pela frase ‘Quem quiser pode me culpar’. De que estavam culpando Charlotte Brontë?, eu me perguntei. E li como Jane Eyre costumava subir no telhado enquanto a sra. Fairfax preparava geleias, e ficava olhando através dos campos até onde a vista alcançava. E então ela desejava – e era por isso que a culpavam: [...] então eu desejava um poder de visão que pudesse ultrapassar aquele limite, que alcançasse o mundo movimentado, as cida
2 de ago.2 min de leitura


remontar, recontar, elaborar
"Não que a vida seja um continuum. Ao contrário, não é; reconstruir (melhor dito, inventar) um sentido que ligue o presente ao passado é uma obra incessante, que nos oferece um conforto necessário, nos dá a sensação de que atos e fatos se inserem numa história, num conjunto, que somos nós. Aliás, reinterpretar o passado, descobrir (ou inventar) novos sentidos para o que aconteceu é quase sempre uma maneira de mudar nosso presente. Pois, no fim dessa empreitada, sendo o result
28 de jun.1 min de leitura


atravessar-se
"E você vai atravessá-la, claro. Falo da tempestade. Dessa tempestade violenta, metafísica e simbólica. Metafísica e simbólica, mas ao mesmo tempo cortante como mil navalhas, ela rasga a carne sem piedade. Muita gente verteu sangue dentro dela, e você mesmo verterá o seu. Sangue rubro e morno. E você vai apará-lo com suas próprias mãos em concha. O seu sangue e também o de outras pessoas. E, quando a tempestade passar, na certa lhe será difícil entender como conseguiu atrave
15 de jun.1 min de leitura


escolher é ganhar e é perder
Ou isto ou aquilo Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva! Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares. É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares! Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo… e vivo escolhendo o dia inteiro! Não sei se brinc
24 de mai.1 min de leitura


no ordinário, alguma poesia
No fato de já não mentirem, eles encontram poesia [Anna Kariênina - Liev Tolstoi, 1877]
19 de mai.1 min de leitura


à margem dos impecáveis
"Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho s
19 de mai.2 min de leitura
bottom of page