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atravessar-se

Foto do escritor: Maria Nayane Sampaio
Maria Nayane Sampaio
15 de jun.
1 min de leitura

Atualizado: 17 de jul.

"E você vai atravessá-la, claro. Falo da tempestade. Dessa tempestade violenta, metafísica e simbólica. Metafísica e simbólica, mas ao mesmo tempo cortante como mil navalhas, ela rasga a carne sem piedade. Muita gente verteu sangue dentro dela, e você mesmo verterá o seu. Sangue rubro e morno.

E você vai apará-lo com suas próprias mãos em concha. O seu sangue e também o de outras pessoas.

E, quando a tempestade passar, na certa lhe será difícil entender como conseguiu atravessá-la e ainda sobreviver. Aliás, nem saberá com certeza se ela realmente passou.



Uma coisa, porém, é certa: ao emergir do outro lado da tempestade, você já não será o mesmo de quando nela entrou.

Exatamente, esse é o sentido da tempestade de areia".

Kafka à beira-mar | Haruki Murakami, 2002

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